Continuando as considerações sobre a Vila de Paranapiacaba, outra coisa me chamou a atenção na visita, e este fato sobre o qual vou escrever nada mais é do que uma das conseqüências culturais da passagem dos ingleses.A Vila (ou cidade, prefiro vila, soa mais bucólico) é dividida pela Estrada de Ferro, sendo que a Parte Baixa era propriedade da São Paulo Railway, e ali ficavam instalados os funcionários da ferrovia; e na Parte Alta, haviam proprietários diversos, sendo ali onde havia o comércio da Vila.
Os ingleses, protestantes, eram de confissão Presbiteriana, e a Igreja funcionava numa casa, pintada de cor diferente. Os demais habitantes, eram quase todos católicos (A Ferrovia chega no fim do século 19, ou seja, logo após anos em que a Igreja Católica era a religião oficial do Estado brasileiro, sendo que todos que professassem outra fé eram considerados pagãos).
Em decorrência disso não haviam Missas na parte baixa (ou melhor, elas eram proibidas). Do outro lado, nenhum inglês podia ser enterrado no cemitério da cidade, afinal, esse era de propriedade da Igreja Católica (em quase todos os cemitérios antigos do Brasil, há um outro Cemitério anexo onde eram enterrados os 'infiéis'. Em São Paulo os Cemitérios do Araça, Consolação e São Paulo tem seus pares para os não católicos).
Bom, creio que os ingleses não tivessem realmente o mínimo interesse em serem enterrados aqui. E os brasileiros, como sempre, deram o jeitinho. Há na parte baixa, uma árvore que ainda é chamada de Pau da Missa, onde os avisos de Missa e Falecimentos eram pregados.
Toda essa análise eu fiz pensando nos dias de hoje. Como o ser humano ainda tem a capacidade de não se relacionar, e de não aproveitar o que há na sua volta. Vejam o caso de Paranapiacaba. Os ingleses se recusaram a estreitar laços com os brasileiros, não deixando nada mais que prédios por herança. Os brasileiros, por sua vez, não aproveitaram a oportunidade de aprender coisas novas (em especial a tecnologia, bem avançada pra época).
E até hoje, ainda há entre Católicos e Protestantes esse preconceito (que vale sempre dizer, é mútuo)
Nenhum comentário:
Postar um comentário