Desde pequeno já comecei a tornar me um ser politizado. Isso muito devido ao sofrimento que minha mãe passava como funcionária pública. Junto a ela eu fui a muitas assembléias da APEOESP para decidir sobre continuidade ou não de greves (especialmente durante os governos Quércia/Fleury).
É claro que num ambiente como este, meu primeiro impulso foi à esquerda, ou mais precisamente, ao PT. O PT era o partido ideal, aquele que realizaria nossos sonhos quando assumisse o poder.
Minha primeira decepção com o PT foi no primeiro governo importante que eles tiveram, o da Luiza Erundina (hoje no PSB). Não que eu não gostasse dela, ou que ache que ela não realizou grandes coisas, mas por causa da falta de experiência em administração que demonstrou o partido. Sou um morador de São Paulo que ama essa cidade, e lembro da invasão de camelos que transformou o centro numa Calcutá piorada. Mas essas eram lembranças de menino (eu tinha lá meus 10 anos).
Logo após tive uma das minhas maiores decepções com sindicatos, mais especificamente com a APEOESP citada acima. Numa assembléia, houve votação maciça pela continuidade da greve, mas, o interlocutor, uma das pessoas mais caras de pau que já vi na vida, disse que a votação pelo encerramento da greve tinha vencido (e levou vaias por isso). Alias, aos 14 anos, quando tive 20% do meu segundo salário recolhido a título de imposto aos sindicatos, eu parei de acreditar e achar os mesmos algo útil.
Ainda assim, eu sempre tinha sido PT, ainda que não votasse. Minha primeira eleição foi em 1998. Já mais consciente, sabedor que fazer política no Brasil não era fácil, que o próprio sistema corrompia, e que, as vezes, as figuras são mais importantes que os partidos, dei meus primeiros votos. Presidente: Lula; Governador: Covas; Senador: Suplicy; Dep. Federal: Erundina; Dep. Estadual: Turco Loko (eu sei, calma pessoal, é que Dep. Estadual não serve pra nada, resolvi escolher alguém pra ganhar dinheiro fácil).
Em 2000 a primeira eleição pra Prefeito. Alckmin no primeiro turno e a Dra. Havanir pra vereadora (eu não conseguia lembrar de outro número que não o dela) e Marta no segundo turno (voto anti-Maluf).
Em 2002 mais uma vez a principal eleição. Presidente: Lula; Governador: Alckmin ; Senadores: Mercadante e Célio (PCdoB); Dep. Federal: José Dirceu; Dep. Estadual: Turco Loko (ou foi a Dra. Havanir novamente??).
Em 2004 prefeito novamente. Serra e Aurélio Miguel (passei a levar mais a sério os cargos de Vereador e Dep. Estadual).
Bom, olhando acima vcs podem perceber o grau de decepção que eu tive com as denúncias. O PT, que enfim chegava forte ao poder, foi pior que eu esperava. Foi pior do que qualquer um esperava. Tanto foi ruim que talvez a eleição vá cair no colo do Alckmin, no voto protesto, ou melhor, voto-útil.
Hoje, eu não voto pro PT nem pra síndico de prédio. Uma coisa é descobrir que tem ladrão no PFL (nossa, pasmem!) outra era o PT, antigo bastião da moralidade pública desse pais. Ainda mais perpetrada pelos seus cabeças.
Resultado, nessa eleição votei: Presidente: Alckmin; Governador: Serra; Senador: Afif; Deputados, ambos na legenda, ambos PSOL.
Hoje me enxergo mais como centrista. Vejo a esquerda cada vez mais como um despejar de retóricas utópicas e populistas. Claro que algumas figuras ainda são importantes, mas eles não conseguem se articular e trabalhar em conjunto. Gostei muito de ler hoje que talvez o PPS (do Roberto Freire) e o PV (do Gabeira) venham a se unir. Surgiria um partido de centro-esquerda com alguma viabilidade e com moral.
E vamos no voto útil anti-Lula pro segundo turno.
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